Casa feita de container marítimo - "Um lar sustentável"
Já imaginou morar dentro de um container? Nunca? Acha que seria impossível transformar uma "caixa de lata" em uma casa linda, estilosa e aconchegante? Ah, então você precisa ler esta matéria maravilhosa escrita pela Michele, do Minha Casa Container, para a primeira edição da Revista OcaPop. Bora conferir?

Casa de lata, casa de sardinha, moradia estufa. Essas foram apenas algumas das definições que ouvi das pessoas quando falei, pela primeira vez, sobre casa container. Ainda que o assunto não seja novidade em muitos outros países, esse tipo de construção no Brasil, por completo desconhecimento do assunto, ainda é visto com muito preconceito.
Não que eu, antes, não tenha sido acometida dos mesmos prejulgamentos. Mas, em 2009, enquanto visitava uma exposição de arquitetura e decoração em Florianópolis, deparei-me com uma casa container que roubou meu coração. Era formada por um único módulo – um container de 20 pés – porém, considerando minhas posses na época (estudante universitária), era mais do que perfeita, cumprindo tudo que uma moradia exige.



Além da beleza do projeto, fiquei encantada pela ideia de reaproveitamento de materiais, redução dos custos da obra e aproveitamento máximo dos espaços. Sustentabilidade sempre foi um tema latente em minha vida. Houve uma época em que sonhava em entrar para o Greenpeace e me jogar no mar para salvar baleias no pacífico. Isso mudou quando lembrei que mal sabia nadar. Nem por isso precisava deixar a causa e o respeito ao meio ambiente de lado.
A vida, contudo, é cheia de surpresas – alguns chamariam de destino – e, três anos após ver aquela casa container, eu entrei em contato com a competente arquiteta Livia Ferraro, responsável pelo projeto, para que então, diante de um terreno cheio de desníveis e ideias mirabolantes de um casal nada convencional, transformasse aquele amor inicial em um projeto concreto. E não só isso: colocar em prática um projeto que, de alguma forma, fosse sustentável.


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O blog Minha Casa Container surgiu nesse momento. Ainda que tenha cursado a faculdade de Direito e minha profissão esteja relacionada a esse curso, a paixão por arquitetura e decoração sempre me acompanhou. Até os amigos afirmam que eu deveria ser decoradora. Mas o hobby tem se mostrado suficiente, ao menos no momento.
Ainda que o site tenha começado como forma de compartilhar o passo a passo de uma obra tão inusual, unindo-se a minha paixão por design de interiores e projetos do it yourself, minha curiosidade e vivência com o tema servem hoje para ajudar muitos daqueles que procuram uma construção alternativa.


E claro que o blog não fica apenas nos projetos com container. Projetos sustentáveis podem ser feitos de muitos outros materiais. É o caso da residência localizada no Bairro Campeche, em Florianópolis/SC, mesma cidade em que resido há 15 anos. Trata-se de uma obra mista, assim como será a minha casa container, misturando container com outros materiais.
A proprietária da casa é uma argentina super preocupada com o meio ambiente. Quando veio morar no Brasil, pensou em montar uma casa que fosse toda proveniente de materiais reutilizados e, ainda, integrada ao ambiente que a cercava – próxima ao mar.


Ainda que a obra, em si, tenha levado cerca de três meses para ficar pronta, o planejamento levou muito mais tempo. A proprietária garimpou cada um dos materiais e só quando eles estavam escolhidos é que o projeto saiu do papel. Ou seja, ao contrário de uma obra convencional, não foram os materiais que tomaram a forma do projeto, mas sim o projeto que se adaptou aos materiais existentes.
Ainda que a equipe tivesse bastante experiência com container, a mistura de materiais bem diversos e reutilizados tornou o trabalho bastante artesanal. A mistura de materiais, apesar de a priori parecer improvável, combinou perfeitamente. O rústico da madeira com o industrial do container e dos tijolinhos à vista. Objetos cheios de história e outros modernos em perfeita harmonia.

Como o projeto contava com menos de 70 metros quadrados, a aprovação na Prefeitura foi bem rápida – há um processo mais rápido para imóveis desse tamanho. O fato de utilizar container na construção igualmente não foi um problema, pois basta informar o uso de placas de metal nas paredes. O resto, de um modo geral, é igual a qualquer outro projeto convencional, devendo respeitar as mesmas distâncias, aberturas etc.
Com tanto empenho na escolha dos materiais, a casa saiu mais barata do que se feita em alvenaria comum – em torno de 65 mil. O container utilizado, por exemplo, de 40 pés, estava bem batido de um lado, tornando seu preço mais atrativo. Para resolver a questão estética, foi feito um recorte a 7 metros, eliminando a parte amassada e aproveitando apenas o restante.

No total foram usados os seguintes materiais reutilizados na construção: container, madeira de demolição, tijolos de demolição, portas de demolição, vidros de reutilização. Na decoração o mesmo padrão foi observado, como luminárias de garrafa e móveis antigos. O container foi mantido intacto, com a chapa (imitando piso de ônibus) até um pedaço das paredes internas e o mdf naval no piso, recoberto por um laminado de madeira. Alguns recortes de papel de parede formam listras em uma das paredes internas, enquanto as externas foram pintadas de um azul bem vibrante.
Há um quarto, tipo mezanino, no andar superior e o container, disposto no segundo andar, possui um banheiro, um closet e um pequeno atelier. No térreo há uma ampla sala integrada com a cozinha, um espaço, com uma cama, que serve como sofá e descanso para hóspedes, um segundo banheiro e um pequeno quarto para uma criança. Na parte externa há um deck de madeira com pergolado.

Como o container foi utilizado basicamente na parte interna da casa, ficando apenas uma parte exposta para o exterior, mesmo se tratando de um modelo dry não foi necessário nenhum isolamento térmico – somente uma tinta refletiva no exterior para amenizar a incidência solar. Essa, aliás, a grande questão quando se fala em casas containers. O aquecimento interno é a maior preocupação de quem pesquisa sobre o assunto, vide os comentários de quem não conhece o tema.
Quem opta pelo container tipo reefer não precisa se preocupar com isso, pois ele já vem isolado termicamente de fábrica – é utilizado para cargas refrigeradas. Mas, no caso de uso do container dry, as paredes devem receber um revestimento de material isolante térmico. Aproveita-se esse para embutir todas as instalações elétricas e hidráulicas, encerrando com o revestimento da escolha dos moradores, como gesso, madeira e assim por diante. No reefer há a opção de tubulações aparentes, em estilo mais industrial, ou aplicar outro revestimento sobre esses, do mesmo modo como ocorre com o dry.

Como toda novidade, há um certo estranhamento por aqueles que se deparam com uma obra em container. E é realmente difícil imaginar que uma casa de metal não seja quente ou, até, que possa ser bonita. A criatividade das pessoas mostra que é uma ideia, possível, sustentável, geralmente de menor custo comparada com alvenaria comum, rápida, com reduzida produção de entulho e, apesar dos diferentes gostos arquitetônicos, muito bonita, sim.
Que tal conhecer um pouco mais do assunto para mudar a ideia de casa de lata ou casa de sardinha para um lar sustentável?

E aí, não dá pra chamar essa belezinha de casa de lata, casa de sardinha, casa estufa... não é mesmo? Taí a prova de que uma casa container pode ter, sim, muito mais charme e personalidade que muita casa tradicional ;) E para continuar no clima de sustentabilidade, reaproveitamento e estilo de vida, te convidamos a ler também mais estes posts:
Beijos das OcaPoppers e até o próximo post!




























































































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